quarta-feira, 17 de agosto de 2016

O AMIGO DE INFÂNCIA - DONNA TARTT


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Eu acabei de ler  mais uma obra dessa autora norte americana que eu já conhecia do livro O Pintassilgo, livro que eu li em 2015. 
Eu fiquei curiosa com a sinopse do livro, porém , mais uma vez, não corresponde ao conteúdo da obra.Encontrei esse livro largado no chão da Rua Ataulfo de Paiva, no final do Leblon e me baixei para ver que livro era. Então como já conhecia a autora resolvi traze-lo para casa.O livro está em estado perfeito e foi alguém que o comprou no sebo Berinjela, pois tem o carimbo desse sebo, leu e largou na rua.
        A historia é bem tipica americana, e a gente sente uma influencia grande dos magistrais escritores William Faulkner e  Hentry James Começa falando da morte de um menino amado pela família,quando ele tinha nove anos; um crime sem solução; na cena do crime estavam as suas duas irmãs menores, uma com quatro anos e a outra com seis meses. Depois ela continua a historia quando a irmã menor esta com doze anos e resolve desvendar a morte do irmão que não conheceu. E neste presente tudo que acontece se dá em torno desta menina, relembrando o passado e com medo do futuro. Bem escrito, provavelmente bem traduzido; porém como eu já tinha comentado no livro O Pintassilgo, a Tartt exagera nos textos. O que ela poderia contar em duas frases ela escreve em três parágrafos. E isso me cansa muito. Mas li estoicamente até o final.

Livro esgotado. Segundo romance dessa autora.

Publicado pela COMPANHIA DAS LETRAS, 2004
Traduzido por Celso Nogueira
Capa de Silvia Ribeiro sob foto de KendallMcMInimy/Gety Images.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

A CABEÇA NO FUNDO DO ENTULHO - FERNANDO MONTEIRO

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Li esse livro do escritor pernambucano Fernando Monteiro . São três historias, sendo que a primeira é um assunto que muito me interessa como museóloga
É um romance que eu li como se fosse uma novela. Conta a historia de um advogado paulista que trabalha numa causa relacionada a uma herança ganha por uma mulher italiana cujo pai vivia no Brasil e  que era um italiano  atravessador de obras  de arte roubadas para colecionadores nazistas. Um desses colecionadores vivia no Brasil e ao morrer deixa a coleção para a filha do atravessador e que ela só poderia vender algum quadro se fosse para melhorar o valor do espólio,  
A historia é boa. Apenas descrever os cenários de Roma me cansou um pouco.
Editora Record, 1999

Nagib Mahfuz - AS CODORNAS E O OUTONO

Acabei de ler mais um livro do escritor egípcio Nagib Mahfuz, que eu tanto gosto. Aproveitei a energia do Cossery, também egípcio para continuar meditando sobre essa humanidade que se arrasta que nem cobra pelo chão.
Nesta sua obra, As codornas e o  outono ele cria uma historia em torno de um homem que aos 20 anos se apaixona por uma garota de 10 anos e promete aos pais se empenhar para ser digno dela. A garota nada sabe. Em dez anos ele se torna um dos políticos mais importantes e influentes do Egito monarquista. Porém, bem na semana que ele consegue oficializar o noivado marcando a data do casamento ele perde a sua posição, por conta de um movimento revolucionário que depõe o Rei.
É uma historia nostálgica,  bem construída do ponto de vista psicológico e com um desfecho que me surpreendeu.
Foi a primeira obra do Mahfuz traduzida para a nossa língua brasileira.
Essa edição, traduzida direto do árabe por Alphonse Nagib Sabbagh e João Baptista M. Vargens é editada por ESPAÇO E TERRA, RJ, em 1989, um ano após ele ser agraciado com o Nobel de Literatura.
Capa do Cláudio Mesquita.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

gostar de um autor

Quando eu gosto de um autor eu leio seguidamente o máximo de livros que ele escreveu e tenham sido publicados na língua portuguesa. Assim li seguidamente dois livros do egípcio francófilo Albert Cossery e já tinha lido um dois meses atrás.

albert cossery Ambição no Deserto




Acabei de ler mais um livro do Albert Cossery, autor egípcio que viveu em Paris e escreveu em francês todos os seus livros cujas historias se passam no Egito ou nos Emirados Árabes. Ambição no Deserto é  um hino de amor ao não consumismo.Com poucos personagens nessa historia ele nos leva a refletir sobre essa nossa forma desenfreada de consumir produtos supérfluos  e destruir a natureza do planeta  com consequência cada dia mais irreversível. Ele me faz pensar de forma filosófica sobre a nossa atual civilização embora ele trate seus personagens femininos um tanto quanto incomodo ( pelo menos para mim); mas ai eu penso :como ele iria falar de uma maneira diferente se ele é médio oriental?
Gostei muito desse paragrafo no livro:
 "- Pode ser um espirito forte, mas limitado.Esse sujeito, assim como milhões de cidadãos de outros continentes, não se dá conta de que está sofrendo uma pressão, de tão insidiosa e perfidamente destilada que ela é. A penetração do ideal reacionário através do excesso de objetos manufaturados é um tipo de colonialismo mais prejudicial que a conquista de um país pelas armas. A única cultura da grande potência imperialista é o seu comércio. É por esse meio que ela consegue embrutecer inclusive os povos mais evoluídos.Não se esqueça de que os homens são iguais a crianças maravilhadas ante a abundancia de brinquedos expostos numa vitrine"

Publicado pela CONRAD EDITORA,SP, 2008
Traduzido maravilhosamente  por Dorothee de Bruchard
Capa de Jonathan Yamakami sobre a imagem de Raymond Depardon/Magnun Photos

sábado, 30 de julho de 2016

AS CORES DA INFÂMIA - ALBERT COSSERY

"A multidão humana que deambulava ao ritmo indolente de um flanar estival pelas calçadas esburacadas da cidade milenar de AL Qahira parecia acomodar-se com serenidade, e até com certo cinismo, à degradação incessante e irreversível que a rodeava. Dir-se-ia que todos aqueles passantes, estoicos sob a avalanche incandescente de um sol escaldante, , mantinham, em sua vagabundagem incansável, uma benévola cumplicidade com o inimigo invisível que minava os alicerces e as estruturas de uma capital outrora resplandescente . Impermeável ao drama e à desolação, naquele populacho se arrastava uma espantosa variedade de personagens apaziguados pelo ócio - operários desempregados artesãos sem clientela, intelectuais desinteressados da glória, funcionários públicos expulsos das repartições por falta de cadeiras, bacharéis subjugados pelo peso de uma ciência estéril e, enfim os eternos galhofeiros, filósofos amorosos da sombra e da quietude que dela emana -, para quem a deterioração espetacular da cidade tinha sido especialmente concebida para lhes aguçar o senso crítico. Hordas de migrantes vindas de todas as províncias - cheios de ilusões dementes sobre a prosperidade de uma capital transformada em formigueiro - tinham -se aglutinado à população nativa e praticavam um nomadismo urbano desastrosamente pitoresco." Albert Cossery

Esse é o primeiro paragrafo desse livro de apenas 135 páginas tão bem  escritas pelo escritor Albert Cassery e que me pegou de "jeito" lendo-o quase em um só folego!


Terminei de ler mais um livro do Albert Cassery, dos oito que escreveu em quase 90 anos de vida. Com exceção do que foi dito por Henry Miller, tudo o que está escrito na capa final desse livro não tem nada a ver com o que o Cassery escreveu nele ou em outros livros. Tudo  que esses comentaristas de jornais portugueses, americanos e franceses falam são inverdades.
E é possível entender porque ele teve tanta dificuldade de editar seus livros: foi o maior inimigo do consumo e lutou contra isso a vida inteira. Suas historias se passam em cidades do Egito, apesar dele ser egípcio e escrever sobre a pobreza na maioria das vezes dos próprios egípcios vivia em Paris num hotel de baixa categoria , como e entre mendigos.
Esse AS CORES DA INFÂMIA, parece com o momento politico que estamos vivenciando aqui no Brasil, com esses políticos ricos e corruptos.
Conta a historia de um jovem que se torna um exímio  ladrão depois de um famoso gatuno o salvar de se matar por estar vivendo na extrema pobreza, e de nada dar certo para ele em sua miserável vida nos subempregos que consegue. Assim o Nimr, o velho ladrão explana para o jovem ladrão Ossama ":(...) sobre sua teoria do roubo como justa recuperação, pelos pobres, de alguns trocados, num mundo em que os grandes larápios prosperavam impunemente no topo da escala social."

domingo, 17 de julho de 2016

a ponte das turquesas - Fernanda de Camargo-Moro

Terminei de ler. Mas antes de falar alguma coisa desse livro vou escrever algumas coisas sobre a autora. Fernanda de Camargo- Moro, como diz meu de Museologia Professor Carlos Costa, Fernanda de Camargo Almeida Moro era museóloga formada no Curso de Museus, do Museu Nacional (1952 a 1956); tinha estágio de especialização em museus de ciência, pelo International Council of Museums (1970 a 1972); e doutorado em Arqueologia Romana, pelo Universidade de Coimbra (1969 a 1973), orientada pelo famoso arqueólogo português Jorge Alarcão.  E seguindo transcrevo o que foi dito na Revista Museus :"Dedicada à Museologia, Fernanda, pós-doutorada em Arqueologia Ambiental, teve uma relevante produção bibliográfica, com destaque para a obra Museu: Aquisição/Documentação (1986), utilizada como referência histórica no meio acadêmico quanto aos estudos conceituais e práticas sobre documentação, em que Fernanda não se limitou apenas a exaltar a importância da gestão das coleções museológicas, mas esclarece a respeito das formas de registro, catalogação, pesquisa e preservação dos acervos em museus."
Como uma profissional na área da Arqueologia e da Museologia, documentando objetos e artefactos  em diferentes escavações arqueológicas em diferentes países do Oriente Médio realmente ela escreve em seus livros sobre a gastronomia desse Oriente que nos é tão misterioso, mágico!
Em "a ponte das turquesas" fica uma certa ambiguidade se ela deu título ao livro lembrando das mulheres ou das pedras semipreciosas, da Turquia. A ponte das turquesas é uma viagem ao mundo otomano com uma enfase para a sua cozinha riquíssima; e enquanto eu lia sentia o cheiro e o sabor das especiarias orientais!
Os capítulos que mais me impressionaram foram os que retrata o mundo do harém e a historia dos eunucos! Senti um certo tendenciamento dela ao falar da corte, dos sultões e vizires. Um livro para consultas. E para experimentar as receitas que são em torno de setenta entre comidas doces e salgadas.
Livro editado pela RECORD, RJ,2005, com fotografias ilustrativas de várias cenas do mundo otomano que estão em diferentes museus da Turquia.